@Nina Lafont | It will never be the end.

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Dizem que, quando os indivíduos passam por uma experiência de uma quase morte desejada, os momentos mais importantes de suas vidas passam como um curta metragem projetado por detrás dos olhos. A sensação é de desfoque, terror e, estranhamente pacífica; a ligação entre as vontades ambíguas de ficar e de ir embora é asfixiante. Seria como ouvir o canto de uma sereia, profundamente encantador, entretanto, de uma periculosidade quase inigualável. É sabido que os ruídos emitidos pelo cantar de tais seres mitológicos são capazes de arruinar a vida de alguém com suas melodias doces e suavemente venenosas. Seu transe não é desconhecido, mas é muito sedutor para ser evitado; compreende-se o afogamento, porém, a vontade de continuar escutando a melodia é muito mais ávida do que o saber e qualquer arbítrio de permanecer na superfície rochosa.

Ainda um pouco recostada à parede de pedras, as mãos de Nina formavam pequenas marcas. O silêncio angustiante formado pelos dois era pior do que uma briga ferrenha que, possivelmente, não iriam travar. A verdade era que a ausência de palavras iria permear o relacionamento dos primo; uma sensação de desconforto, dor e não ódio que estaria incrustada no brilho opaco dos olhos fundos de Nina. Esta, deixou os sapatos envernizados deslizarem, deixando o peso de seu corpo fino sobre suas palmas. Por mais que conhecesse Henri a fundo, não saberia dizer o que se passava com o jovem àquele momento. Talvez estivesse com raiva tremenda, afinal, a mais nova havia destruído tudo que havia acontecido e estaria para ocorrer entre os dois; talvez estivesse um pouco feliz por estarem se separando, por estar prestes a se livrar de um grande estorvo. 

Nina sabia que jamais seria capaz de odiar o primo. Seu comportamento agressivo e explosivo era completamente cabível e inteligível, especialmente para ela. Sua escassez de palavras, os olhares refreados e a garganta seca eram conhecidos de longa data e não eram vistos pela moça como um comportamento arisco, apenas diferentemente melancólico. Lutando para entreabrir os lábios que estavam grudados tamanha secura provocada pelo nervosismo, um sussurro rouco apertou suas cordas vocais, impossibilitando-a de iniciar sua fala. – Acredito que…  – repetiu as palavras inicias que foram proferidas pelo primo em baixo tom. – Acredito que… Você sabe que isso não é o fim. disse-lhe com um pouco de amargura. – Isso nunca vai acabar. Sempre teremos um pouco de inferno na Terra.  – completou de modo calmo, apesar de conteúdo frígido de sua oração. Era óbvio que, enquanto continuassem em Hogwarts e amando um ao outro – o que, certamente, iria se prolongar –, paz seria um vocábulo inexistente em seus dicionário e, pior ainda, em suas almas.

Sua frase havia soado como um consolo para si. Não aguentaria não manter contato com Henri, mal saber notícias do jovem e, quando as tivesse, seriam mal contadas e cheias de comentários maldosos, vindos, especialmente, de sua mãe e de seu tio Deacon, pai do mais velho. Nina, simplesmente, não conseguia aceitar a ideia de perder Henri. De perder seu primo. Seu melhor amigo. Seu amor. Não queria se adaptar a uma rotina completamente diferente a qual vinha mantendo há mais de 13 anos. Queria  voltar no tempo e reconstruir toda a cena do jantar, sair correndo e, se possível, estuporar todos os que lhe desejavam algum mal ou que prosseguisse com a tradição secular de manter a pureza de sua estirpe. Tudo o que menos desejava era manter um costume estúpido e inútil. Com ou sem Henri.

Preso a uma racionalidade finita e imóvel pelo drástico destino dos dois, Henri permaneceu a fitar os olhos vermelhos e a expressão febril de Nina ciente de que suas palavras haviam sido um tanto quanto lógicas e de extrema coerência. Era como se, subitamente, lhe ocorresse o quanto era consolante fixar o olhar sobre a face obscura do infortúnio e aceita-lo de bom grado, saber que lhe pertencia totalmente e descansar para sempre daquele tormento torpe produzido por uma paixão antiga e descartável dando um fim fulminante para tudo. Procurava cegar-se pela razão e admitir que o futuro isolado dos dois seria, como sempre havia crido, o fim do tormento e caos em que viviam sempre tão inclusos. Dar fim a uma paixão antiga seria como assassinar uma vida sofrida e de depressão para alcançar o inesgotável e precioso “descansar em paz”.

Todavia, as palavras de Nina desfiguraram instantaneamente a estrutura firme e segura de um rapaz que deixava o amor de ambos cometer suicídio para que tanto ele quanto Nina pudessem viver dignamente, aceitando seus destinos e prosseguindo como se a paixão jamais tivesse existido. Um suspiro lhe escapou e o oxigênio rarefeito faltou-lhe depressa. Diante da penumbra turva e vistosa que começava a tomar conta da Torre do Relógio, Henri compreendeu, através das palavras da prima, que não havia um fim visível para aquele segredo de beleza e silêncio tão estonteantes. Era como se, em um piscar de olhos, as palavras “descansar para sempre” se tornaram horríveis e nauseantes. Não haveria descanso com o fim, com a danação eterna da paixão dos dois. Jamais poderia haver descanso se eles ainda vivessem apaixonados. Vivessem de tormento, de dor e de saudade. Como haveria o fim do inferno na Terra com a existência do incansável fogo de sofrimento pela separação? O que o esquecimento de beijos morosos de outrora teriam a ver com a dor que jamais deixaria de existir, que jamais morreria? Como um amor desapareceria no surreal inferno para deixar dois sujeitos sãos e ilesos na Terra?

Assim, o rapaz deu um passo breve para trás, evitando fitar a tristeza de Nina e se deixar levar pela oscilação constante de sentimentos e decisões. Pensava nas imagens estáticas da infância, no passado romântico de suas noites ao lado de sua amada, nos preciosos campos de alfazema. Diante da suposta morte de um amor e o início de uma separação, figuras antigas como aquelas eram mais do que desejáveis. Passavam diante de seus olhos e o faziam crer que a morte e o suicídio da paixão eram uma maneira ineficaz de tornar o sofrimento não perpétuo. Henri lembrou-se de seus avós e da praia revoltosa que ficava próxima ao casarão destes, pensando no quanto as águas de ressaca e o céu escuro se tornavam apenas um durante as noites mais escuras.  Quando seus olhos, perdidos pela melancolia, não encontravam diferença entre o infinito estrelado e a águas soturnas. Aquilo era o descanso. Viver uma lembrança era o descanso. Desejar que o passado voltasse e se refugiar em uma memória lhes traria a paz. Trar-lhes-ia a felicidade. Então, Henri deixou o olhar vir para o chão de pedra devido à própria nostalgia, devido à vontade de reviver uma época de “descanso eterno”. Uma época que só poderia ser revivida em um sonho distante. – Eu sempre vou te amar. – Sibilou triste não conseguindo fitar a prima e seus olhos castanhos, caídos em lamentações lúgubres. – E eu gostaria de fazer isso acabar, ter um fim, mas não sei como fazê-lo. Nunca saberei. Talvez, eu não o queira. – Admitiu ainda sem fazer contato visual, temendo mudar o desfecho do diálogo para algo mais motivador e falsamente esperançoso. Sua angústia estava explícita e a falta de futuro era de puro realismo. A única forma de atingir o “descansar em paz” era voltar de uma forma literal para suas lembranças felizes. Era um sonho. Um sonho impossível. - Acho que isso é um adeus. – Completou-se sóbrio, à espera das palavras que viriam de Nina. Os devaneios do rapaz eram muitos e, como de costume, ele procurava mantê-los apenas para si.

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A jovem permanecia próxima a parede de mármore, o ponteiro maior e delgado do grande relógio girava freneticamente marcando os segundos e o som que aquele fazia conseguia ser mais irritante do que o normal. Sua cabeça e mão esquerda estavam apoiadas na pedra calcária e ela batia seu crânio contra o muro ao tiquetaque do passar do tempo. Fora estúpida demais, era imbecil em demasia e só havia percebido esse fato recentemente.

Seus olhos esverdeados lacrimejavam de modo discreto, suas mãos suavam e tremiam ligeiramente. Ouvia o silêncio de Henri com atenção, esperando que palavras cortassem o ar repentinamente ou que ele se virasse em sua direção de maneira agressiva ou que, simplesmente, se retirasse dali sem dizer algo que a machucasse ainda mais. Entretanto, era de sua sabedoria e de seu costume que a ausência das orações do primo eram mais agoniantes do que qualquer coisa hostil.

Quando o Lafont mais velho se pronunciou, Nina desprendeu os dedos úmidos do mármore que estava embaçado pelo calor que emanava de suas falanges. “Você enlouqueceu?” – a retórica ecoou em sua mente, fazendo-a refletir com brevidade. – Eu fui absolutamente insensata  disse erguendo os olhos para as costas de Henri. – Mas eu não tinha como fugir… Se você estivesse lá…  murmurou, levando a testa à parede. Sua carne fina bateu contra a pedra durante algumas boas vezes, deixando-a tonta. 

– O quanto você me ama não é de meu interesse.  falou retribuindo novamente à pergunta do jovem primo. – Só de você o fazer é suficiente para mim…  prosseguiu, seus sapatos de verniz dançavam de forma tímida, porém, irritadiça nos calhais da Torre do Relógio. Nunca havia cobrado amor excessivo de Henri e, se ficassem juntos, jamais o faria. Seria uma grande tolice. Sempre soube que o rapaz estava ao seu lado por adora-la, contudo, para Nina, a ideia de ser amada pelo ravino ainda lhe era nova e docemente absurda. Eu joguei tudo isso fora. Como se não tivesse importância alguma para nós dois. Eu não abandonei nosso futuro, mas nosso passado também.  disse rouca e sentindo os joelhos fraquejarem pela milésima vez naquele dia terrível.

Pelo mais egoísta que as ações de Henri parecessem, perder a pessoa que deveria ser a única a qual possuía uma devota afeição não era o que mais o preocupava naquele momento de aflição e euforia. Tentava manter a calma e mostrar-se sensível, mas sua expressão temerosa deixava claro que o objetivo de sua vida havia se desfeito em muitíssimo pouco tempo para que lidasse com o fato com calma e racionalidade. Sabia que o fim daquela pequena discussão seria apenas um. Com o término do diálogo ele teria de abandonar Nina e o prazer da convivência dos dois para proteger tanto a si quanto, principalmente, a própria prima.

Abaixou o olhar e sentiu-se aleatoriamente pálido e conciso. Algo incomum àquele ponto de sua existência. Afinal, após a descoberta de sua paixão o jovem havia mudado bastante. Falava com mais frequência, saía mais de seu dormitório e até prestava mais atenção nas aulas que tinha que assistir. Ia jantar sempre um pouco mais tarde para que as mesas do Salão Principal ficassem mais vazias e ele pudesse ficar na mesa da Grifinória e na companhia de Nina enquanto ceavam. Henri conseguia sorrir com mais frequência. Estava indubitavelmente feliz.

Ouviu as palavras da prima sem conseguir fita-la tamanho cansaço sentia diante de uma situação tão desgastante como aquela. As lágrimas de seus olhos secaram e ele tentou permanecer firme já que sabia bem que Nina se sentiria menos mal se ele demonstrasse alguma segurança em seus atos deliberados. – Entendo. – Disse erguendo o olhar para a outra com uma indiferença que era completamente inerente a sua personalidade passada. Era como se o rapaz apaixonado tivesse morrido e a imagem de uma pessoa sem sentimentos e paixões se manifestasse concretamente, outra vez. As palavras da moça haviam sido tão sinceras e reais que Henri pode rever mentalmente algumas figuras estáticas da infância dos dois em um solavanco totalmente emocional. Já sentia saudade dos tempos em que só podia enxergar os campos de lavanda a sua frente e de como o sol fazia com que seus olhos claros ardessem enquanto vivia aventuras infantis com a prima querida.

- Sinto muito. – Sibilou com a voz morrendo e os seus sentidos ficando completamente fracos. Desejava quebrar os vidrais da Torre do Relógio, mas sentia uma ridícula felicidade ao notar que, após tanto tempo de negação, havia se lembrado de como dar fim ao perigo o qual ele e sua prima estavam inclusos. Desde sempre, acabar com o suposto não relacionamento amoroso dos dois era a opção que mais permeava sua cabeça e, era óbvio, que sua racionalidade de ravino apontava novamente para àquilo.

Jamais, durante todos os anos em que vivera naquela seleta família dos Lafont, experimentara o medo daquele instante, a vulnerabilidade, o terror absoluto que se incluía a sua mente e corpo. Não sentia alívio algum. Nem uma sensação de segurança. Sabia bem que não poderia suportar o terror e, ao fitar Nina e suas expressões corporais, Henri percebeu que a outra apenas demonstrava o que ele mesmo não tinha coragem de deixar transparecer. Todo seu tormento se estampava na face delicada e nos olhos vermelhos de Nina. Ela era o reflexo de uma pessoa que perdia aquele que mais amava e, naquele momento, o rapaz duvidou se ela realmente sentia algo por ele.

- Acredito que… – Murmurou deixando o próprio olhar se frustrar e recuar das feições dolorosas da outra Lafont. Sua voz era complacente e ele era sincero. Apenas demorava-se para dizer, pois, apesar de todas as dores, ele amava sofrer pela sua terrível paixão. Seus dedos estavam secos e sua postura era invejável à outra Lafont. Henri parecia muito convicto de suas ideias, mesmo que sofresse muito pelas dúvidas que permeavam sua cabeça. Sentia que tudo o que havia vivido com Nina era uma grande e irônica mentira. O rapaz sem coração e a jovem romântica. Ele se apaixonava e ela se casava com uma pessoa odiosa. Tão triste que poderia fazer sua família rir da desgraça do bruxo. Contraiu os lábios e ergueu o olhar para terminar a própria frase. - …você mesma já tenha notado que é melhor não nos vermos mais. - Terminou sentindo-se frio e mórbido. Havia dado um golpe de misericórdia em si mesmo. Seria melhor que as coisas fossem assim.

Anonymous asked:
"Nothing would be the same if you did not exist."

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Anonymous asked:
"Blue-eyed boy meets a brown-eyed girl. Oh, the sweetest thing!"

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Anonymous asked:
"Have you ever loved so deeply that you would condemn yourself to an eternity in hell?"

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Anonymous asked:
"Já provou la marijuana?"

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